Honesta, limpa, econômica, direta, austera, quase seca, mesmo quando a cor se expande e o gesto abriga a emoção.
Não há nele nem o supérfluo, nem o desperdício.”
Janela do atelier- Bahia - 1951
A família era muito pobre. Seu pai, Giovanni, era um imigrante italiano, que viera para o Brasil com a mulher, Corinna, para trabalhar como pedreiro.
Lagoa do Abaeté - 1952
Inconformismo, foi a marca registrada de José Pancetti.
Por força das circunstâncias e do próprio temperamento, não teve parada.
Mudou-se, constantemente de um lugar a outro, experimentou diversos empregos, sem fixar-se em qualquer deles, a não ser na Marinha Mercante Italiana, onde ingressou aos 16 anos.
Tinha um enorme orgulho de ser marinheiro, e seu amor pela marinha era retribuído.

Cabo Frio - 1947
Pancetti quase não desenhava, fazia apenas alguns esboços a carvão antes de começar seus quadros.

Mangaratiba - 1946

Nos seus muitos auto-retratos, Pancetti conta sua vida vendo-se em diferentes personalidades: marinheiro, almirante, pintor, campones, pescador.
Dramáticos ou irônicos, eles têm em comum o seu olhar de lado, desconfiado.

Mar Grande - 1954
As marinhas são a face mais conhecida da obra de Pancetti.
Sempre o mar, o mar brasileiro, azul e profundo – de um marinheiro só.
Saquarema - 1955
Nas praias, figuras isoladas, de costas para o espectador, contemplam o mar.
Contemplam a si proprias.

Tela de minha coleção particular
Morreu em 1958, aos 56 anos, de tuberculose, no Hospital da Marinha, no Rio de Janeiro, onde foi visitado pelo Presidente JK.
A vida de Pancetti, amarga e solitária, pode ter sido atormentada e sombria, mas o seu legado não poderia ser mais luminoso e radiante.
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